• Roberta Calábria

As contrações: gestação, parto e pós parto.

Para mulheres que nunca passaram por um trabalho de parto as contrações podem ser um grande mistério.

É difícil contar como é uma contração, pois a consciência corporal e o limiar de dor variam em cada mulher, mas é possível explicar como as contrações se modificam durante as fases da  gestação, do parto e do pós parto.


Vamos lá:


Contrações de treinamento - Também conhecidas como BH, contrações de Braxton Hicks. O nome já diz tudo: servem para treinar o útero, como uma musculação. Costumam começar por volta de 30 semanas. São geralmente indolores e sua principal característica é o enrijecimento súbito da barriga. Podem causar uma pressão no púbis e um aperto na bexiga. Duram poucos segundos e tendem a acontecer mais vezes após um dia de mais atividade e/ou agitação. São absolutamente normais, mas podem causar alguns sustos nas primeiras vezes em que aparecem, pelo estranhamento. Respirar profundamente costuma aliviar o incômodo, caso a mulher se sinta incomodada.


Contrações de pródromos – O famoso alarme falso. Diferente das de BH, essas podem trazer alguma dor na lombar e/ou cólicas. São mais parecidas com as contrações efetivas de parto, só que mais leves, mais passageiras e menos frequentes. Podem acontecer a partir de 36 semanas e não têm relação direta com a proximidade do parto, podendo permanecer por semanas, especialmente durante à noite e após o sexo. Entender os pródromos é parte fundamental para aumentar as chances de um parto sem intervenções desnecessárias, pois saber a diferença entre eles e o trabalho de parto real impede a ida para a maternidade antes da hora. Uma dica para saber se são pródromos ou não é tomar um banho morno e relaxante, de preferência no escurinho. Se as contrações sumirem, são pródromos. Vida que segue! Algumas mulheres têm pródromos bastante persistentes, que incomodam bastante, especialmente de madrugada. Nesses casos a dica é tentar relaxar o máximo possível, tentar se manter distraída e não alterar a rotina. Nem todas as mulheres têm pródromos, então tudo bem em estar a termo e não estiver sentindo nada.





Contrações de parto – Se a mulher tiver pródromos, chegará um momento em que nenhum banho quente fará as contrações sumirem. Nesse momento o trabalho de parto estará começando de fato. No começo do TP as contrações são mais curtinhas, em média uns 30 segundos, e seus intervalos são um pouco irregulares. Na medida em que o trabalho de parto avança, as contrações vão ficando mais longas e mais próximas, assim como o ritmo vai ficando bem regular. Na fase ativa a média de intervalos é de 3 contrações em 10 minutos, e duram cerca de 50 segundos. Este intervalo tende a diminuir e, na fase de transição (a que causa a dilatação dos últimos 2 centímetros), elas podem acontecer com um minuto e descanso, e esse descanso pode ser um sono profundo.

É comum que ao alcançar os 10cm a mulher tenha um período sem contrações, que pode variar entre alguns minutos e algumas horas. É o corpo se preparando para o que vem a seguir.

Depois da dilatação total, ela entra no período expulsivo. É a hora de fazer força, de empurrar (puxos). As contrações tendem a ser menos doloridas, pois a mulher ganha um caráter ativo diante delas. Não se trata só de esperar a contração passar, e sim de fazer força junto com elas para trazer a cria para os braços. O intervalo entre as contrações com puxos pode ser maior o que n fase ativa do parto.


Para todo o parto, as dicas de como lidar com as contrações são semelhantes: água quente nas costas, liberdade de movimento, um espaço onde a mulher se sinta segura, com sua privacidade respeitada. Muito da dor do parto tem a ver com o medo e a ansiedade, então resolver estes fatores pode auxiliar e muito na aceitação do processo. Massagens, aromas, música e dança também são ótimas ferramentas. As contrações são como ondas, surgem mais fracas, alcançam um ápice e depois diminuem até sumir. A quem diga que se elas são as ondas, o corpo da mulher é o oceano inteiro. Respira, rebola e relaxa!


Após o nascimento da criança, a mulher precisa expelir a placenta, é a chamada dequitação. Para isso o útero ainda contrai, mas são contrações mais leves, mais parecidas com uma cólica menstrual.

Assim como antes do expulsivo, antes da saída da placenta é possível que haja intervalos de descanso, sem contrações. Isso é normal e não significa necessariamente uma parada no parto. O parto só acaba quando a placenta sai.


Nos dias seguintes ao parto, as contrações dão lugar à cólica, especialmente durante as mamadas. A mulher não sente mais a barriga enrijecer, mas o útero está se contraindo para voltar ao tamanho normal.


Vale lembrar que esta explicação diz respeito ao que acontece comumente em partos fisiológicos, especialmente em mulheres que passam por isso pela primeira vez. Cada corpo é um corpo e as contrações também são muito influenciadas pelo ambiente e pela assistência. Logo, as variações são possíveis e até mesmo esperadas.


Um abraço e até breve!


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