• Roberta Calábria

Desvendando o Plano de Parto

Atualizado: 10 de Jul de 2018





O que é? Por que fazer? Como fazer e modelos!


É com alegria e esperança que podemos perceber o aumento de interesse e de conversas em torno do plano de parto. Uma expressão que até pouquíssimo tempo não fazia muito sentido para a maioria das pessoas, mas que, por conta da intensa mobilização sobre a humanização do parto, começa a fazer parte do debate sobre as condutas de atendimento obstétrico. O termo plano de parto hoje aparece nos pré-natais das clínicas da família, nas diretrizes nacionais e internacionais de saúde e em camapnhas do Ministério da Saúde. Além de aparecer como questão recorrente por parte das gestantes que buscam o parto humanizado.


Mas afinal, o que é o Plano de Parto?


O plano de parto é, em sua essência, um documento feito pela gestante no qual constam suas expectativas, desejos e escolhas para o momento do parto. Apesar de existirem muitos modelos de plano de parto (aqui nesse post mesmo você encontra alguns logo abaixo), não há um formato específico necessário para ele. Algumas mulheres optam por um documento conciso e objetivo, outras buscam detalhar vontades mais específicas e algumas usam imagens para ilustrar seus desejos. A forma pode ser pensada de acordo com cada tipo de situação, pois é muito importante que o contexto do atendimento seja levado em conta, ou seja, é preciso considerar quem é a pessoa que receberá o plano de parto e acompanhará o parto (atendimento com obstetra de plano, particular - com os quais é possível dialogar e debater a construção do plano de parto durante o pré-natal ou equipe de plantão - quando o caminho é através de conhecer os protocolos da instituição onde o parto acontecerá).


No documento, a gestante registra por escrito as suas preferências quanto ao andamento do trabalho de parto, acompanhantes, intervenções em seu corpo e na recepção a sua ou seu bebê; além de procedimentos médicos no trabalho de parto, parto e pós-parto. A mulher pode incluir, também, caso deseje, aspectos mais individuais da atenção, como a vontade de ser chamada pelo seu nome, ser a primeira pessoa a tocar na criança, entre outras tantas coisas que podem aparecer como desejo dela ao construir seu cenário de parto.


Por que fazer um plano de parto?

Existem algumas razões importantes para elaborar um plano de parto:


1) Entender sobre funcionamento do parto, recepção de bebês, intervenções, possibilidades. Pensar sobre tudo o que pode, o que deve e o que não deve acontecer é muito útil para evitar imprevistos, surpresas e melhorar as sensações positivas de experiência de parto. Trata-se de se apoderar do processo e trabalhar ativamente para a construção de um parto melhor, mais positivo e mais alinhado aos próprios desejos.


2) Ter uma forma nítida e direta de mostrar a equipe que vai atender o parto quais são as suas preferências. Acrescento que pela minha experiência e por relatos próximos, parturientes que chegam para parir e apresentam um plano de parto são vistas de forma diferente por parte de profissionais, que tendem a pressupor que é uma paciente com um nível mais profundo de informação sobre o parto e, por isso, não deve ser submetida a tantos procedimentos desnecessários ou de forma desinformada. Não é garantia de uma atenção humanizada, mas auxilia a diminuir o grau de violência obstétrica.


3) Prevenir-se legalmente no caso de desfechos desagradáveis. Como um documento que tem validade legal (veja sobre leis mais abaixo), o plano de parto pode ser anexado a processos judiciais em casos de violência obstétrica, negligência profissional e afins. Para tanto, é preciso que o documento seja apresentado em duas vias, assinadas pela gestante e pela pessoa ou instituição que se responsabilizará pela assistência. Uma cópia deve ser anexada ao prontuário e a outra deve ficar com a mulher.


Como fazer um plano de parto?


Como disse aí em cima, não existe um formato padrão para os planos de parto. Você pode escrever o seu, do jeito que você quiser e com as informações que você achar importantes. Agora algumas dicas que podem te ajudar na hora de escrever seu plano de parto:


Seja pessoal - Escreva seu nome, o nome da pessoa que vai te acompanhar e apresente brevemente o que você espera do seu atendimento. Por exemplo: que ele seja respeitoso, sem violência, com autonomia, confiança e informação.


Seja breve - Principalmente se sua escolha for parir em maternidades públicas ou com plantões (e não diretamente com alguma ou algum obstetra ou enfermeira obstetra específica). O fluxo de atendimento de parto é bastante grande nos casos de plantão, logo, planos de parto mais curtos tem maiores chances serem lidos em sua integralidade - sim, infelizmente a garantia de entregar o plano de parto ainda não é garantia de que ele será lido ou respeitado.


Separe suas expectativas por desfecho/situação - o plano de parto deve abordar todos os processos e possibilidades do trabalho de parto, parto e pós parto. Você pode separar o plano em trechos, por exemplo: plano de parto domiciliar / plano de parto em caso de transferência hospitalar / plano de parto hospitalar planejado / plano para caso de indicação de cesárea / plano para recepção a/ou bebê / plano de cuidados no pós parto. É importante que, para cada uma das situações, você se informe sobre como elas acontecem e quais são as intervenções possíveis, como, quando e em que casos elas são aplicáveis.


Tenha cópias - Entregue cópia do seu plano de parto para ser anexada ao prontuário, entregue outra para quem for atender o parto, entregue para a/o pediatra que receberá a criança, entregue na enfermaria ou para a enfermeira responsável pelo pós-parto.


Instrua quem for te acompanhar - toda parturiente tem direito a ser acompanhada po uma pessoa de sua escolha, contanto que essa pessoa tenha mais que 18 anos. Pode ser homem ou não, pai ou não, da família ou não. Não importa, sendo maior de idade, pode estar presente durante todo o tempo do trabalho de parto, parto e pós-parto (Lei Federal 11.108/2005). Essa pessoa será quem estará ao seu lado durante todo o tempo e pode ser uma ferramente muito importante para que você consiga o parto que deseja. Uma pessoa acompanhante informada sobre o parto e sobre os desejos da mulher poderá servir de interlocutora entre a parturiente e a equipe nos momentos em que a mulher não queira/possa decidir e fazer escolhas. A construção do plano de parto pode ser feita na preença de quem te acompanhará, ou, caso seja dificil viabilizar isso, é importante que esta pessoa esteja ciente e de acordo com o que você deseja. Lembre-se: a informação é preciosa!!!


Atualmente, para embasar o direito ao plano de parto, as mulheres brasileiras podem utilizar:


Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, Ministério da Saúde, 2017

Recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Atendimento ao Parto Normal


O Estado do Rio de Janeiro conta com a Lei do Parto Humanizado, 7191/2016, que garante: Art. 4º - Diagnosticada a gravidez, a gestante terá direito à elaboração de um Plano Individual de Parto, no qual deverão ser indicados: I - o estabelecimento onde será prestada a assistência pré-natal, nos termos da Lei; II - a equipe responsável pela assistência pré-natal; III - o estabelecimento hospitalar onde o parto será preferencialmente realizado; IV - a equipe responsável, no plantão, pelo parto; V - as rotinas e procedimentos eletivos de assistência ao parto, pelos quais a gestante fizer a opção.


E quanto aos modelos?

Vamos lá! Você pode fazer seu plano de parto de várias maneiras, sendo mais descritiva, mais objetiva ou ainda ilustrativa. rs

Veja alguns modelos possíveis, mas importe-se em refletir sobre cada momento, cada procedimento e cada desejo considerando sua realidade e sua vontade. Estes são apenas modelos a serem usados como base para que você faça o seu próprio plano de parto. E CUIDADO !! Algumas instituições buscam convencer as gestantes a assinarem um plano de parto padrão do seu atendimento. Esta prática não é humanizada, justamente porque a humanização depende dos desejos de cada mulher e não deve ser padronizada.


Um modelo mais descritivo é aquele no qual você organiza o seu texto como quem escreve uma carta contando o que espera, deseja e aceita. Explicando ou não os seus motivos. Este modelo é muito bom para quem é atendida por obstetra particular ou pelo plano de saúde. Pode e deve ser debatido durante as consultas de pré natal. Desconfie de profissionais que não conhecem ou se interessam por seu plano de parto. Você encontra modelos de planos assim no Blog da Rebeca Doula e nesse levantamento muito bacana das Amigas do Parto, que explica muito bem sobre os procedimentos, intervenções e possibilidades.


Um modelo de lista mais objetivo pode ser utilizado, preferencialmente nas instituições onde o atendimento do parto é feito por plantonistas, profissionais com quem a gestante não tem contato prévio. A Defensoria de São Paulo e a ONG Artemis elaboraram um modelo de plano de parto no qual a mulher marca as opções que estiverem mais de acordo com o seu desejo. Clique e veja. Você pode aproveitar o modelo e colocar outras situações que deseje, mantendo o formato de marcar a escolha.


Outra possibilidade, que trabalha com uma forma diferente de comunicar seus desejos, é o plano de parto ilustrado. A imagem abaixo foi retirada do grupo de facebook Parto Natural, e é uma tradução de imagem em inglês feita e disponibilizada pela Catarine Silveira. Inspire-se! Use sua imaginação e desenhe seu plano de parto também, caso queira mudar alguma coisa.



Sim, é muita coisa, muita informação que precisa ser entendida, associada e questionada. Alguns modelos têm palavras desconhecidas e termos com os quais não estamos habituadas. Mas o esforço vale a pena. Leia com calma, informe-se, procure saber do que se tratam as coisas que são novidades pra você. As informações estão disponíveis hoje através da internet, e caso você prefira, pode contar com o apoio de uma doula ou uma educadora perinatal para te auxiliar nessa empreitada. Converse com a/o profissional que acompanha seu pré natal, tire suas dúvidas e se responsabilize pelo processo. O parto é seu e você merece (e tem direito!!!) a melhor atenção possível.


Até a próxima!

Um abraço,

Roberta

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