• Roberta Calábria

Perguntinhas e pegadinhas para o pré-natal

Atualizado: 28 de Jun de 2018

Aqui estamos, deparadas com a realidade obstétrica do nosso país.




Talvez você já tenha se dado conta de que encontrar uma ou um profissional que corresponda ao que você considera adequado sobre parto e humanização é bem mais difícil do que parece. Se ainda não se deu conta, essa hora provavelmente vai chegar. A própria noção de escolha pode ter várias compreensões nesse cenário. Nós temos mesmo a possibilidade de escolher profissionais que se adequem a nossos desejos?


No Rio de Janeiro, é fato que avançamos muito nos últimos anos, mas, infelizmente, as mulheres ainda precisam traçar um plano bastante estratégico, se munir de muita informação, muita certeza do que querem e, em alguns casos, ainda contar com uma boa dose de sorte.


Temos algumas profissionais de referência, e no SUS, uma maternidade que, para os partos de risco habitual, tem bons protocolos de atenção - porém sofre com o desmonte estrutural que é agenda na atual conjuntura. As profissionais, particulares, não são acessíveis a todas as mulheres, que muitas vezes optam por seguir com obstetras do plano de saúde, ou tem como opção apenas suas maternidades de referência, designadas pelo SISREG e Rede Cegonha.


O objetivo dessa postagem é ajudar a você, que não tem muita certeza se a/o profissional de sua escolha vai mesmo atender seu parto da maneira que você deseja. Não se engane! Tem muita gente por aí dizendo que "faz" parto normal. Mas as perguntas são: é verdade mesmo? E que tipo de parto é esse?


A medicina baseada em evidências se escora em um tripé que equilibra as evidências atualizadas, os desejos da mulher e os limites práticos e conceituais da conduta profissional. Toda e todo obstetra tem seus limites e suas práticas preferenciais. É com o inuito de auxiliar você a entender essas práticas que faço esta postagem.


Vamos a uma série de perguntas a serem feitas a quem acompanha o seu pré-natal e te acompanhará durante o parto. Lembre-se: a relação médica(o)/paciente é uma relação baseada na ética, na confiança, e é também uma relação comercial. Você tem todo o direito de ter suas perguntas respondidas, e profissionais que defendem o discurso "deixa que com o parto eu me preocupo" ou "até faço normal, mas vai depender na hora" são geralmente profissionais com limites muito pequenos para a atenção desejada.


Lembrando que a resolução nº368, da Agência Nacional de Saúde, obriga os planos de saúde a informarem, quando solicitado, o percentual de cesáreas de profissionais dos planos. Ligue para seu plano de saúde (ou para qualquer plano de saúde ao qual a/o profissional seja filiada(o)) e solicite. É uma ótima ferramenta para saber com que tipo de obstetra está lidando.


Agora vamos ao que interessa. Abaixo listo uma série de perguntas que você pode fazer para quem acompanhará seu parto. As respostas? Algumas têm encaminhamentos bem específicos, em outras, são relativos. Aí vale você pesquisar sobre intervenções, intercorrências e compará-las com os seus limites. Não é uma conta fechada, mas é uma boa balança para indicar as chances de ter um parto natural / normal e RESPEITOSO.


Vamos lá:


O que você pensa do parto normal?

A quantos nascimentos você assistiu no último ano?

Quantos foram cesárea? E quantos foram normais/naturais?

Até que idade gestacional você considera seguro esperar por um trabalho de parto espontâneo?

Caso eu não entre em trabalho de parto até lá, que tipo de conduta você sugere?

Se minha bolsa romper antes do trabalho de parto, quanto tempo você acha que posso esperar até o bebê nascer?

E se a bolsa romper e eu não entrar em trabalho de parto dentro desse tempo, qual a sua conduta?

Como você lida com a hipertensão gestacional / pré-eclâmpsia?

Qual a sua conduta com bebês em apresentação pélvica?

O que você acha da episiotomia?

Em que casos você considera induzir o parto? E que tipo de indução você pratica?

Que intervenções você considera essenciais? Quais você pratica de forma rotineira?

Você aceita plano de parto?

Posso me movimentar livremente durante o trabalho de parto?

Posso parir na posição em que eu escolher?

O que você acha de mulheres que comem e bebem durante o trabalho de parto?

E se eu recusar algum procedimento? Como você reagiria?

Você tem o hábito de conversar sobre os procedimentos antes de fazê-los?

Quanto tempo você acha que pode durar um trabalho de parto? Fase ativa? E o período expulsivo?

O que você pensa sobre o parto domiciliar?

E doula? Conhece? O que acha?

Quanto tempo você espera para cortar o cordão umbilical?

Quanto tempo você espera até a saída natural da placenta?

O que você pensa sobre analgesia de parto?

Posso ter acompanhante de minha escolha comigo?


Com essas respostas em mãos, é hora de contrabalanceá-las com seus desejos, as evidências científicas e as recomendações do Ministério da Saúde e da OMS.


Eu sei, é um trabalho danado, mas o jogo é esse. Se apoderando dessas informações, suas chances de alcançar o parto mais próximo ao que você deseja podem aumentar bastante. Não tenha receio: pergunte! E saiba: sempre há tempo de procurar segunda, terceira, quarta opiniões!


Depois volta aqui e conta pra gente sobre as respostas que você teve!


Boa hora! E boa sorte!

;)


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